Complexo Teatro Castro Alves

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Um dos mais importantes exemplares da arquitetura moderna na Bahia, o Teatro Castro Alves (TCA) assistiu à transformação urbana que Salvador vivenciou a partir da década de 1950 e a integrou, sendo um de seus mais importantes capítulos. Localizado em frente à Praça Dois de Julho, cartão postal do bairro do Campo Grande, o TCA é o principal equipamento cultural do estado, mantido pelo Governo da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Sua data oficial de fundação é 4 de março de 1967. Foi tombado como patrimônio nacional pelo Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2014.

O Complexo conta com Sala Principal (1.554 lugares) e seu foyer, Sala do Coro (com flexibilidade cênica, abarca plateias de até 250 pessoas) e seu foyer, Concha Acústica (5.000 lugares), Centro Técnico, Esplanada, Vão Livre, Jardim Suspenso e Café Teatro, além das salas administrativas e salas de ensaio. O TCA abriga ainda os dois corpos artísticos estáveis da Bahia: a Orquestra Sinfônica da Bahia e o Balé Teatro Castro Alves.

Foto Site TCA - Complexo TCA
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O trabalho do arquiteto Bina Fonyat se destaca, aliando o plástico ao funcional, buscando uma integração com a paisagem da cidade e um caráter multifuncional na utilização de seus espaços, sendo a Sala Principal, por exemplo, adaptável a diferentes tipos de espetáculos. Seu projeto arquitetônico alia-se ainda à importância social conferida ao TCA ao longo das décadas. O Teatro Castro Alves mantém-se no posto de vitrine da vida artística e cultural da capital, sendo um espaço que figura entre os mais conhecidos em âmbito nacional.

Esse importante papel foi se reforçando à medida que o TCA passou a expandir suas formas de contato com o público e a classe artística baiana. Ao assumir a administração deste grandioso equipamento, a atual gestão, em alinhamento com as políticas públicas da Cultura da Bahia, vem trabalhando no aprofundamento desta vocação do TCA em se transformar em um efetivo centro de produção cultural. Esse objetivo vem sendo perseguido através da reestruturação de seu modelo administrativo e, principalmente, da criação de projetos e ações que o conduzam nesta direção.


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Histórico TCA

Tudo começou em 1948, quando o deputado Antônio Balbino, influenciado por intelectuais e artistas baianos, encaminhou à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 432, propondo a construção de um grande teatro em Salvador. Com inauguração prevista para 1951, o local escolhido foi a Praça Dois de Julho, no Campo Grande. A sugestão do nome Castro Alves, em homenagem ao poeta baiano, foi do teatrólogo Adroaldo Ribeiro Costa. A obra foi projetada inicialmente pelos arquitetos Alcides da Rocha Miranda e José de Souza Reis.

Arquitetura "ousada"

No governo de Otávio Mangabeira, Diógenes Rebouças foi nomeado para elaborar outra planta arquitetônica, considerada “ultramoderna” para os padrões da época. A construção chegou a ser iniciada, mas foi interrompida com o fim do seu mandato. Finalmente, Antônio Balbino, já governador da Bahia, designou o arquiteto José Bina Fonyat Filho e o engenheiro Humberto Lemos para a elaboração de outro projeto, que acabou conquistando na ocasião uma menção honrosa na 1ª Bienal de Artes Plásticas em São Paulo, “por sua arquitetura moderna e ousada”. A obra, a cargo da Construtora Norberto Odebrecht, teve início em 2 de julho de 1957 e foi concluída um ano depois, em 30 de junho de 1958, com inauguração marcada para 14 de julho daquele ano. Assim, com uma arquitetura vanguardista, o Teatro Castro Alves era a casa de espetáculos mais completa das Américas, dispondo dos mais modernos equipamentos.

Incêndio

Por determinação do governador Antônio Balbino, dias antes do ato inaugural, o Teatro foi aberto à visitação pública. Foi nesse período, na madrugada chuvosa de 9 de julho de 1958, cinco dias antes da sua abertura oficial, que o bloco principal do TCA foi destruído por um incêndio de causas desconhecidas, deixando a população baiana em estado de choque. Reafirmando o compromisso com a Bahia, Antônio Balbino prometeu reconstruir o teatro. Assim, em 18 de julho de 1958, uma missa campal no Campo Grande marcou o início das novas obras. A Concha Acústica não foi atingida pelo incêndio, sendo inaugurada em abril de 1959.

O processo de reconstrução do TCA durou nove anos, passando por três gestões governamentais. Ainda assim, nas cinzas físicas e políticas do período da Ditadura Militar, nasceu ali a vanguarda do teatro brasileiro. Lina Bo Bardi, com uma atitude ousada e inovadora, subverteu a lógica de ocupação do Teatro, fazendo das ruínas o cenário da renomada “Opera dos Três Tostões”, de Martim Gonçalves, baseado na obra de Bertold Brecht.

Foto Site TCA - Complexo TCA
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Inauguração

O Teatro Castro Alves foi oficialmente inaugurado em noite de gala no dia 4 de março de 1967, no auge da Ditadura Militar, pelo governador Lomanto Júnior. Compareceram à solenidade o então presidente da República Castelo Branco, entre outras autoridades e convidados especiais. A programação inaugural durou um mês e contou com apresentações da Companhia Nacional de Ballet, Quinteto Villa Lobos, o espetáculo teatral “Oh Que Delícia de Guerra”, o show “Rosa de Ouro”, com Clementina de Jesus e Paulinho da Viola, além do cantor e compositor baiano Dorival Caymmi e do Madrigal da Universidade Federal da Bahia, entre outras atrações. Houve, também, um recital de poesias em comemoração aos 120 anos de nascimento de Castro Alves, o Poeta dos Escravos.

Fechamento e reabertura

Em julho de 1989, depois de um emocionante concerto da Orquestra Sinfônica da Bahia com a participação do Afoxé Filhos de Gandhy, o Teatro fechou para reforma, sendo reinaugurado em 22 julho de 1993. O show especial de reinauguração reuniu no palco da Sala Principal os baianos Maria Bethânia, Gal Costa e João Gilberto.


Atual gestão

Nos últimos anos, mais que um teatro, o TCA consolidou-se como um centro cultural vivo e dinâmico. Atualmente, o Complexo tem pretendido ser espelho de diretrizes públicas democráticas, que permitam sua integração cada mais profunda com a sociedade, com seu desenvolvimento cultural, com a diversidade cultural de uma Bahia que existe para além da sua capital, com o investimento na formação e qualificação de profissionais da cultura, com a potencialização de seus corpos artísticos e a requalificação técnica de suas estruturas.

Novo TCA

Em novembro de 2009, foi lançado o Concurso Público Nacional de Anteprojetos Arquitetônicos para Requalificação e Ampliação do Complexo TCA. O objetivo foi identificar a melhor proposta para requalificação de todos os espaços do TCA – Sala Principal, Sala do Coro, Concha Acústica, Foyer, Centro Técnico, Vão Livre, Jardim Suspenso e o Café Teatro. O Estúdio América, de São Paulo, foi o escritório vencedor.

O conceito para o Novo TCA surgiu da expansão e ampliação de um potencial existente pautado em três pilares: acessibilidade, democratização e formação em cultura. O Novo TCA é, portanto, um projeto grandioso e potencializa a utilização do espaço físico do teatro, mantendo os valores estéticos e históricos da estrutura existente, uma vez que esta se constitui num valioso patrimônio cultural soteropolitano e nacional.